Quando se fala em Fisioterapia Pélvica é frequente associá-la à saúde da mulher. No entanto, o pavimento pélvico também tem um papel fundamental na saúde e qualidade de vida do homem.
É uma região envolvida no controlo da urina e das fezes, na função sexual, na ejaculação e na estabilidade e transmissão de forças. Por isso, alterações nesta musculatura podem manifestar-se através de sintomas que, muitas vezes, são vividos em silêncio.
Mas quando é que um homem deve procurar fisioterapia pélvica?
Existem várias situações em que a Fisioterapia Pélvica pode fazer parte da avaliação e tratamento, nomeadamente:
- Perdas de urina, urgência urinária ou dificuldade em controlar a bexiga;
- Alterações após cirurgia à próstata;
- Dificuldade em controlar gases ou fezes;
- Dor pélvica ou perineal;
- Dor durante ou após a ejaculação;
- Algumas alterações da função sexual;
- Sensação de tensão ou desconforto na região pélvica;
- E algumas situações de dor associada à região lombar e anca.
É precisamente por isso que a avaliação individual é tão importante.
Depois de uma cirurgia à próstata, por exemplo, a Fisioterapia Pélvica pode assumir um papel importante no processo de recuperação, particularmente perante sintomas como a incontinência urinária. Mas, idealmente, o acompanhamento não deve começar apenas quando surgem problemas. A preparação antes da cirurgia e o acompanhamento no pós-operatório podem também fazer parte do processo de reabilitação.
E os tabus?
Talvez esta seja uma das maiores barreiras à procura de ajuda.
Falar sobre perdas de urina, ejaculação, ereção, dor pélvica ou alterações após uma cirurgia pode ser desconfortável. Muitos homens cresceram com a ideia de que devem simplesmente “aguentar”, que determinados sintomas são normais com a idade ou que falar sobre estas questões é demonstrar fragilidade. Não é.
Ter um sintoma não é motivo de vergonha. Procurar ajuda também não.
A Fisioterapia Pélvica não é sobre expor o homem ou fazê-lo sentir-se desconfortável. É, acima de tudo, um espaço de avaliação, educação e tratamento, com respeito pela privacidade e pelos limites de cada pessoa.
O pavimento pélvico também faz parte da saúde do homem. E falar sobre ele deveria ser cada vez menos um tabu. Porque cuidar da saúde íntima não é motivo de vergonha. É cuidar de si.
O que esperar de uma sessão?
A primeira consulta começa, habitualmente, com uma conversa.
É importante perceber quais são os sintomas, quando surgiram, como interferem no dia a dia e na vida sexual, antecedentes clínicos e cirúrgicos, hábitos e objetivos do próprio.
Depois, quando indicado e sempre com consentimento, poderá ser realizada uma avaliação física.
Não existe uma avaliação igual para todos. Nem todos precisam de uma avaliação interna e nenhuma abordagem deve ser realizada sem que o homem compreenda o seu propósito e se sinta confortável.
A partir daqui o tratamento é definido de forma individualizada e pode incluir educação, exercícios, estratégias de relaxamento, trabalho da musculatura do pavimento pélvico, técnicas manuais e outras estratégias de acordo com a situação clínica.
Porque cuidar do pavimento pélvico também é cuidar da qualidade de vida. Não é preciso esperar que o problema se torne incapacitante.
Se existe dor, perda de urina, alterações após uma cirurgia, desconforto pélvico ou alguma alteração que esteja a interferir com a sua vida, falar com um profissional especializado pode ser o primeiro passo para perceber o que está a acontecer e o que pode ser feito.


