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Parentalidade: Que Tipo de Pais Queremos Ser?

Quantas vezes dá por si a ameaçar com palmadas, gritos ou castigos e a usar permissividade e a manipulação através de recompensas, como forma de alterar ou lidar com os comportamentos dos seus filhos? Essa abordagem tem tido resultados eficazes a longo prazo? Na prática altera, efetivamente, o comportamento dos seus filhos? Saiba tudo sobre parentalidade!

Procure refletir, mas provavelmente a sua resposta será não! Vamos, então, falar sobre parentalidade: uma viagem sem mapa na qual nos encontramos, de forma constante, a experimentar, errar, aprender e, sobretudo, a duvidar do nosso papel de pais e cuidadores responsáveis.

A estrutura e dinâmica familiar, os modelos de educação e a própria sociedade têm vindo a sofrer, ao longo do tempo, mudanças profundas que implicam a necessidade de uma maior reflexão por parte das figuras parentais, dado o confronto diário na melhor resposta a dar aos seus filhos. No caso de quem escolhe ser pai ou mãe a parentalidade é, assim, uma das tarefas mais importantes da vida adulta, interferindo na forma como vivemos as restantes esferas da nossa vida.

Se, num primeiro momento, precisam de carinho e segurança certo é que, no seguinte, querem ser independentes e demonstrar que são capazes de fazer tudo sozinhos. Mas, o que fazer? Permitir tudo? Deixar fazer para experimentar? Castigar? Conversar?

Enquanto cuidadores da criança os pais tornam-se os principais agentes da sua socialização, a nível comportamental, emocional e de desenvolvimento cognitivo, acrescendo funções específicas, tais como assegurar a sua sobrevivência, o crescimento e socialização nos comportamentos de comunicação, diálogo e simbolização, proporcionar um ambiente de afeto e apoio, estimular, bem como, tomar decisões, tendo em conta os outros contextos educativos nos quais a criança se integra. Mas, acrescentar ao termo parentalidade o aposto positivo é, aparentemente, uma redundância.

A entrada no mundo da parentalidade pode ser considerada uma tarefa admirável e maravilhosa por todo o sentido de realização e bem-estar, mas também a experiência mais exigente para os pais, na medida em que impõe respostas e reflexões constantes que, nem sempre, são fáceis de se concretizar.

Mas, como educar crianças saudáveis e felizes, num ambiente securizante, caloroso e com um mínimo de conflito?

Por outro lado, os desafios vão-se alterando ao longo do ciclo de vida, em função da idade dos filhos, das circunstâncias dos pais e do nosso próprio desenvolvimento enquanto indivíduos. E, por muito competentes e preparados que estejam são inevitavelmente acompanhados de frustrações, medos, dúvidas e falhas podendo, ainda, ser agravados pela falta de tempo, pelo trabalho, por exigências específicas das rotinas diárias, acrescendo a diversidade de opiniões e conselhos que abundam na sociedade sobre a melhor forma de ser pai ou mãe, cuidador ou cuidadora.

De facto, a enorme pressão social para a utopia da parentalidade perfeita pode ser geradora de stress e ansiedade, fazendo-nos sentir incompetentes, ansiosos, zangados ou completamente esgotados. Estas tensões são normais e inevitáveis, embora possamos aprender a lidar, com os desafios da parentalidade, de forma saudável e tranquila, preservando a qualidade das relações, o autocuidado e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

A construção e manutenção do bem-estar familiar deve ser um projeto de todos e para todos, onde estejam implicados sonhos, regras, colaboração, diversão, respeito e união. Procurar ampliar a essência de cada um, fazendo sobressair as suas capacidades e as do outro, vai ajudar a família a crescer de forma mais harmoniosa.

Por sua vez, a prática clínica diária demonstra que, muitos pais, estão efetivamente preocupados e desejam estar e ser verdadeiramente próximos dos seus filhos ainda que, por vezes, encontrem dificuldades em conciliar as suas ideias sobre a educação, com as exigências da parentalidade.

 

A destacar:

  • (Des)Equilíbrio entre a vida familiar e profissional: as mães e os pais sentem-se, com frequência, divididos entre as suas responsabilidades profissionais e parentais. Organizar o trabalho e a vida familiar, de forma a permitir uma integração sinérgica de ambas as dimensões na nossa vida, pode parecer, às vezes, uma “missão impossível”, pese embora, seja essencial à nossa saúde, física e psicológica, bem-estar e qualidade de vida da família.
  • Ritmo de vida acelerado: a maior parte das mães e pais queixa-se de “não ter tempo”, parecendo ser difícil “abrandar”, respeitar o tempo que uma criança, por exemplo, leva a atar os sapatos quando já estamos atrasados para o trabalho. É difícil deixá-los estar mais tempo a brincar no parque porque, quando chegarmos a casa, ainda temos de tratar dos banhos e do jantar e, por vezes, voltar a trabalhar. As próprias crianças e jovens têm, em muitos casos, um horário de atividades preenchido, que lhes deixa pouco tempo para estarem, simplesmente, com os pais e outros familiares, aproveitando a companhia uns dos outros para realizarem atividades não programadas ou organizadas.
  • Sobrecarga de informação: as mães e os pais estão expostos a tanta informação sobre como devem exercer a sua parentalidade e educar os filhos, que pode ser mais difícil tomarem decisões ou encontrarem a sua própria forma de serem mães e pais.
  • Cultura da culpa: existe pressão a propósito da amamentação, da alimentação, da atividade física ou das atividades culturais, com que estimulamos as crianças e jovens. Frequentemente, os pais e as mães sentem-se culpados por não estarem a fazer “o que deviam” (porque o filho ou a filha bebe biberão, porque ainda usa chupeta, porque se deita tarde, porque vê televisão ou está no telemóvel demasiado tempo), porque não são “perfeitos”. A maior parte das mães e dos pais já se sentiu julgado e criticado por cônjuges, familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, profissionais das áreas da educação, saúde ou social ou, até, por desconhecidos (ainda que, na realidade, não exista uma “forma certa” de ser pai ou mãe ou uma solução única para os desafios da parentalidade).
  • Parentalidade digital: a forma como a tecnologia está presente na nossa vida colocou os pais e as mães perante novos desafios, para os quais não existem respostas consensuais: devemos incentivar as crianças e os jovens a usar as novas tecnologias? O que é tempo a mais no tablet ou no telemóvel? Como encontrar o equilíbrio entre os limites e a autonomia (por exemplo, entre respeitar a privacidade dos jovens, mas, simultaneamente, estar atento a possíveis situações de risco assumindo o controlo parental como uma ferramenta passível de transmitir segurança)? As mães e os pais têm um papel importante na promoção de hábitos seguros e saudáveis de interação com a tecnologia, mas, também, evidenciam dúvidas sobre como fazê-lo e temem os seus efeitos no desenvolvimento dos filhos.
  • Exigência de felicidade e sucesso: a situação económica, social e cultural que vivemos coloca, ainda, mais pressão nas mães e pais, para que criem filhos bem-sucedidos, garantindo que têm um sucesso escolar e académico. Esta “vantagem competitiva” parece aplicar-se, também, à necessidade de garantir a satisfação, realização e felicidade permanente das crianças e jovens parecendo, por vezes, ignorar-se ou desvalorizar-se o papel fundamental que as adversidades, os sentimentos de frustração ou outras emoções e sentimentos, têm no seu desenvolvimento e crescimento.
  • Suporte Afetivo: os filhos são uma fonte inesgotável de amor, sendo a maior recompensa, o afeto. Mas são, igualmente, um motivo de preocupação constante: saber como agir corretamente como pais, ser uma referência, transmitir uma orientação moral, procurar a verdade, proteger com segurança face a inúmeras ameaças externas, contudo, sem limitar a experiência da autonomia e da independência tão necessárias para o futuro.

 

Numa família o poder e a responsabilidade não devem estar distribuídos, de forma equitativa, entre pais e filhos, na medida em que a segurança das crianças e jovens está vinculada a um sentimento de controlo das regras e tomada de decisões o qual compete, exclusivamente, aos pais. Em boa verdade necessitam, sim, de ser ensinadas a partilhar, esperar, respeitar os outros e a aceitar responsabilidade pelo seu comportamento, ressalvando-se a importância do afeto, da firmeza na imposição de regras e a constante necessidade do reforço positivo (elogios).

 

Workshop “Parentalidade: Que Tipo de Pais Queremos Ser?

Realizado a 25 de novembro de 2023 na Clínica Valebesteiros de Viseu, o grupo de pais salientou a importância da transmissão geracional na aprendizagem parental, contudo, não esgota as necessidades sentidas no exercício parental.

Para o efeito, não deixam de estar disponíveis para aprender com a sua própria experiência e de aceitar que a relação com os filhos se faz e aprende no quotidiano, bem como, em outras fontes de literatura especializada.

Manifestaram, ainda, que, a partir do nascimento, os filhos solicitam o desempenho de tarefas diversas para as quais, nem sempre, estão preparados, tendo que confiar na sua intuição e, aprendendo, por tentativas e erros. À medida que as crianças vão crescendo, novos desafios vão surgindo naqueles que procuram ser os cuidadores exímios e de referência.

Resulta, ainda, que os desafios e pressões da parentalidade podem ser extenuantes, emocionalmente esmagadores e, até mesmo, gerar diversos problemas de saúde psicológica fazendo saber, para o efeito, que reconhecer precocemente os sintomas e procurar ajuda, adequada, é primordial.

 

No fundo…

Na realidade, não existe a parentalidade perfeita, existem mães e pais que tentam ser os melhores pais e mães possíveis dos seus filhos, com as circunstâncias que têm, oferecendo-lhes afeto, um sentimento de confiança e segurança e estrutura. De facto, torna-se preponderante ensinarmos os nossos filhos a lidar com o risco, a imprevisibilidade, a incerteza e promovermos a sua resiliência.

Quando somos pais e mães é, natural, que haja momentos em que possamos precisar de apoio adicional. Os Psicólogos podem ajudar as mães e os pais a compreender o desenvolvimento dos seus filhos, a estabelecer uma relação e uma comunicação saudável e positiva, bem como, a lidar com dificuldades e problemas que possam surgir ao longo da parentalidade (ajudar a refletir sobre o seu papel, apoiando-os em processos de melhoria da estrutura, funcionalidade e satisfação familiares).

Investir no autocuidado, prevenir a exaustão parental e educar os nossos filhos é uma tarefa muito importante e, por isso, para o fazermos bem é necessário cuidarmos de nós, da nossa saúde física e psicológica, das nossas relações para que, assim, nos possamos regular emocionalmente.

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